2026-04-03
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Ciclista anda com bike elétrica na calçada da rua Visconde de Pirajá,em Ipanema — Foto: Marcelo Theobald
GERADO EM: 02/04/2026 - 22:41
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À medida que explode a quantidade de bicicletas elétricas e similares em circulação pelo Rio,sem que a infraestrutura da cidade se adapte na mesma velocidade,também se multiplicam os registros de desrespeito a regras básicas de trânsito e de bom senso envolvendo usuários desses veículos. Desde a última segunda-feira — quando uma tragédia matou mãe e filho que se deslocavam pela Tijuca em um autopropelido —,O GLOBO flagrou uma série de condutores se expondo a riscos e pondo outras pessoas em perigo. É uma profusão de irregularidades que preocupa e,cada dia mais,provoca debates nas ruas e nas redes sociais.
Cavaliere promete decreto com normas mais rígidas para bikes elétricas,após acidente na Tijuca que matou mãe e filhoTragédia no trânsito: Vídeo flagra acidente com bicicleta elétrica que deixou mãe e filho mortos na Tijuca
Há quem se aventure nessas bicicletas elétricas até em vias como o Túnel Rebouças,a Avenida Brasil e a Ponte Rio-Niterói. Na tarde de ontem,as equipes de reportagem se depararam com ciclistas circulando entre carros e ônibus no Túnel Santa Bárbara,sentido Catumbi; em meio aos trilhos do VLT,no Centro; e na Rua Conde de Bonfim,na Tijuca,onde,embora prevista no planejamento da prefeitura,não há qualquer estrutura para o tráfego desses veículos. A via foi palco do acidente que custou a vida de Emanoelle Martins Guedes de Farias e seu filho,Francisco Farias Antunes,de 9 anos,esta semana.
— O caos atual impera devido à falta de regulamentação municipal para veículos autopropelidos. Sem isso,a Guarda Municipal fica de mãos atadas. Como autuar ou apreender um equipamento se não há uma norma local clara? — questiona Raphael Pazos,presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo da cidade.
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Nesse cenário,muitas das manobras de risco vão parar na internet. Nos últimos dias,circulou um vídeo que mostra um homem conduzindo uma bicicleta elétrica com uma mulher e uma criança na garupa,na entrada do Túnel Noel Rosa,que liga Vila Isabel ao Riachuelo,na Zona Norte. O motorista de um carro comenta enquanto grava: “Não é tomar conta da vida de ninguém,não,mas é complicado. Uma família se sujeitar a entrar num túnel desses,escuro,com uma criança na bike; que loucura”.

Ciclista anda com bike elétrica na linha do VLT,no Centro do Rio — Foto: Marcelo Theobald
Em outro ponto da cidade,uma mulher,em um autopropelido,aguardava entre um ônibus e outro para seguir viagem na calha exclusiva de circulação do BRT.
A insegurança não poupa nem outros ciclistas. O professor João Paulo Rangel,de 47 anos,foi atingido por uma bicicleta elétrica quando pedalava na faixa compartilhada que existe entre Laranjeiras e o Largo do Machado,na Zona Sul.
— Ele (o outro ciclista) devia estar a uns 40km/h,talvez um pouco mais,sem fazer nenhum barulho. Não buzinou para me avisar que estava me ultrapassando. Quando eu fiz o movimento para entrar na Rua Gago Coutinho,crente que estava sozinho na rua,ele veio na contramão pela pista dos carros,na rua — lembra João Paulo,que se feriu no tornozelo e no ombro.
O acidente fez com que o professor,ciclista experiente,parasse para refletir:
— Fico na dúvida se eu vou deixar minha filha ir para escola sozinha de bicicleta quando ela tiver idade para isso.